por Jornal O Tempo
Postado em 22 de Junho de 2026 às 09:00 hrs
Cortar comprimidos ao meio é uma prática comum entre pessoas que desejam facilitar a ingestão, ajustar doses ou economizar medicamentos. No entanto, nem todos os remédios podem ser divididos com segurança, e o hábito pode comprometer a eficácia do tratamento e até provocar riscos à saúde.
Alguns medicamentos possuem revestimentos especiais, mecanismos de liberação controlada ou distribuição específica dos princípios ativos, características que podem ser alteradas quando o comprimido é partido inadequadamente.
Segundo o especialista, medicamentos sem sulco, que é a marcação feita no comprimido para facilitar a divisão, exigem atenção ainda maior, já que o corte pode resultar em doses desiguais. Por conta disso, dúvidas sobre medicamentos devem sempre ser esclarecidas com profissionais de saúde. “Mesmo hábitos considerados simples podem interferir diretamente no tratamento. A orientação correta ajuda a garantir mais segurança e eficácia no uso dos medicamentos”, diz.
Esses medicamentos são produzidos para liberar o princípio ativo aos poucos no organismo ao longo do dia. Quando o comprimido é cortado, esse mecanismo pode ser alterado, provocando absorção rápida da substância e aumentando o risco de reações adversas.
O revestimento não existe apenas para facilitar a ingestão. Em muitos casos, ele protege o estômago, reduz irritações ou evita que o medicamento seja degradado antes de chegar ao intestino. Ao partir o comprimido, essa proteção pode ser perdida.
Quando o comprimido não possui marcação específica para corte, existe maior chance de a divisão ficar irregular, fazendo com que uma metade tenha mais medicamento do que a outra.
Cápsulas, drágeas e medicamentos mastigáveis normalmente não devem ser abertos ou divididos sem orientação profissional, já que isso pode comprometer a ação do produto.
Depois de partidos, os medicamentos ficam mais expostos à umidade, ao calor e ao contato com o ar, fatores que podem reduzir sua estabilidade e eficácia. De acordo com Ivan Olisa, quando há necessidade de ajuste individualizado de dose, uma alternativa mais segura do que partir comprimidos ou abrir cápsulas por conta própria é recorrer à farmácia de manipulação.