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Leilão de 95 escolas públicas em Minas Gerais: um crime contra a educação pública

por Jornalista: sindicato 1 de abril de 2026

Postado em 02 de Abril de 2026 às 09:00 hrs


Na última segunda-feira (30) o governo do estado de Minas Gerais realizou o leilão para concessão administrativa de 95 escolas da rede pública estadual mineira, em um período de 25 anos. O fundo de investimento em participações (FIP) IG4 BTG Pactual Health Infra venceu o leilão na B3, bolsa de valores de São Paulo, ao apresentar ao governo mineiro a menor proposta de contraprestação mensal máxima pelo serviço, no valor de R$ 22,35 milhões.

A medida foi recebida com duras críticas dos profissionais da educação em Minas Gerais.Na última quinta-feira (26), o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE), a União Estadual de Estudantes, a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), organizações sindicais e movimentos sociais protestaram por melhores condições de trabalho e contra a contratação de uma empresa privada para gerenciar parte das escolas estaduais.

Um crime contra a educação pública

“O leilão que aconteceu em Minas Gerais – e também o que ocorreu aqui no estado do Paraná – é a privatização da escola pública da forma mais perversa que nós conhecemos”, defende a vice-presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Marlei Fernandes.

Para a dirigente, o poder público deve ser responsável pela construção de escolas, sua sustentabilidade, trabalhadores em educação e as políticas públicas de todo o estado. “Por mais que muitas vezes eles digam que é só a privatização do prédio, ou que a privatização não é pedagógica, isso não acontece.Temos experiências já muito bem formuladas e determinadas a partir deste princípio”, explica Marlei Fernandes.

Ela acrescenta que fazer com que as empresas possam construir escolas públicas por um período longo, como 20 ou 30 anos, e receber recursos públicos do estado durante esse período é um crime na educação brasileira. “É assim que a CNTE considera, é assim que nós, educadores e educadoras, consideramos e vamos lutar até o fim contra esta forma de privatização e contra esses contratos que são nefastos para a educação brasileira”, alerta.

Em nota, o Sind-UTE define o resultado deste leilão como “o retrato mais deplorável do tratamento que o governo mineiro dispensa à educação, tratando-a como mero ativo financeiro de bancos privados”. Também menciona, entre as consequências dessa privatização, a desvalorização dos trabalhadores: “para transformar a escola em ativo financeiro, é preciso fazer de tudo para aumentar o lucro, por exemplo: demitir as ASBs, trabalhadoras da limpeza e merenda, e substituí-las por mão de obra terceirizada, com salários menores e carga horária maior. Menos custo, mais lucro”.

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