por Jornal O Tempo
Postado em 29 de Outubro de 2025 às 09:00 hrs
A megaoperação realizada nesta terça-feira (28/10) pelas polícias Civil e Militar contra o Comando Vermelho (CV) nos Complexos da Penha e do Alemão já se configura como a mais letal da história do Rio de Janeiro. O número de mortos ultrapassa 60 pessoas, incluindo criminosos e policiais. A divisa entre Rio e Minas Gerais acentua o debate sobre o risco de reflexos e a expansão da violência e do tráfico para o território mineiro.
O especialista em segurança pública, Jorge Tassi, alerta para a possibilidade de fuga dos membros do Comando Vermelho para estados vizinhos. "A fuga pode gerar conflito, por isso, a prevenção é tudo neste momento", considera. Tassi considera também que é possivel ocorrer reflexos nas estruturas do Comando Vermelho de Minas Gerais. "Podemos ter reflexos, pois o crime organizado faz esse processo de responder aos chamados e às demandas das forças de segurança. É possível que tenhamos reflexos nos comportamentos das estruturas e eles podem surgir onde as organizações criminosas tenham algum tipo de controle. Já há notícias de atuação do CV em zonas de influência em Minas Gerais, principalmente na divisa dos dois estados", explica.
Segundo o especialista, a resposta dos grupos criminosos em casos como o registrado no Rio de Janeiro será de violência, pois é um confronto direto contra o Estado. "O crime organizado responde por meio de dinheiro ou violência. Neste caso, será pela segunda alternativa. Temos que ter uma estrutura preventiva preparada para esse tipo de circunstância."
Um delegado da Polícia Civil mineira, que optou pelo anonimato, confirmou que as forças de segurança dos dois estados já realizam um trabalho em conjunto."As operações nas divisas sempre aconteceram e são constantes. Neste momento, encher a divisa de policiais não é inteligente. O trabalho certo é no silêncio, e isso vem acontecendo. Recentemente, fizemos, para se ter ideia, uma operação em todas as divisas em Minas Gerais. A gente avança na atuação e sempre precisa evoluir, pois o bandido é ousado demais", afirma o delegado.
Essa análise é corroborada pelo especialista em segurança pública Arnaldo Conde. "A estratégia está acima de tudo. As áreas de inteligência dos estados conversam entre si". Conde, inclusive, não acredita em uma fuga para Minas Gerais. "Não acontecerá, pois a preparação já está feita", avalia.
O diretor de Comunicação Organizacional da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Flávio Santiago, destacou o trabalho realizado pela corporação no estado para garantir a segurança dos moradores. "A gente vê coisas acontecendo em outros estados, em outros lugares, e você sabe que aqui, uma viatura nossa, entra e sai de qualquer lugar. Trabalhamos 24 horas por dia, sete dias por semana, e continuaremos trabalhando incansavelmente para que o nosso estado continue incólume a quaisquer situações que possam acontecer em outros estados e outros países", disse o coronel, ao abordar o assunto em cerimônia de celebração dos 10 anos do Centro de Jornalismo Policial da corporação, realizada nesta terça-feira (28/10).