por Dom Walmor
Postado em 18 de Outubro de 2025 às 09:00 hrs
“Herança nossa que vamos sempre preservar e defender”: o compromisso rezado na consagração a Nossa Senhora da Piedade, no alto da Serra da Piedade — sagrada arquitetura divina e casa de clemência e bondade — contrasta com a ousadia escandalosa recentemente desmontada por operação policial. Investigou-se a tentativa criminosa de destombamento da Serra para fins minerários, movida por ganância e conivência de quem deveria proteger o patrimônio ambiental. Revela-se, assim, o descompasso ético-moral que corrói a sociedade.
Eliminar o tombamento da Serra da Piedade é ofensa à memória de seus defensores. Recorda-se Monsenhor Domingos Evangelista Pinheiro, o “Evangelista da Piedade”, fundador da Congregação das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade e pioneiro na preservação ambiental movida pela fé mariana. A devoção que inspirou atravessou gerações, unindo figuras como o português Antônio da Silva Bracarena, eremita que construiu a ermida da Padroeira de Minas Gerais, a menor basílica do mundo.
Também o jovem padre Carlos Carmelo Vasconcelos Motta, depois cardeal arcebispo de São Paulo e Aparecida, preservou a reverência à Serra e confiou sua guarda a Frei Rosário Joffily, que ali viveu por 50 anos, consolidando uma escola de defesa do patrimônio natural e espiritual. Essas figuras inspiram hoje um coro de vozes que exigem reação firme das autoridades contra qualquer tentativa de destruição da Serra e de outros bens sagrados.
A hegemonia do dinheiro e a lógica extrativista não podem pautar políticas ambientais. É urgente que licenciamentos sejam baseados em pareceres técnicos, livres de interesses escusos que geram tragédias e crimes ambientais. É preciso desmontar organizações criminosas e resgatar valores como verdade, liberdade e justiça, sem os quais a sociedade mergulha na corrupção e no desrespeito ao meio ambiente.